A Questão

seguro
segurado
segurança,
segundo quem cita

sexo
vida
alegria,
violência irrestrita

sexo seguro
vênus
venosa
seringas e agulhas
descartáveis,
descartável é o homem que cita

e já nem cita
proclama!
do seu palanque
incita
no seu dilema:
nosso problema
é saúde pública!

sexo seguro
aborto seguro,
fim do futuro de quem não cita:

nascituro
calado
inseguro
direto
para a lata do lixo

Londrina, 24/10/2010

Lana

Hermitage, antigo palácio russo, hoje museu, em São Petersburgo

Lana é um quebra-cabeças que se monta aos poucos.
Lana é montada aos poucos
conforme se vê e se conhece:

Lana é russa
mora em St. Petersburgo
São Pedro
St. Peters

Lana é russa
mas faz as minhas letras
e fala com o mundo e comigo também

Lana é livre?
Lana inaugurou seu presidente
erra às vezes apenas em alguns conetivos ou em alguma preposição
mas fala correto em seu coração…

Lana é lacuna…
quem é seu pai?
quem é sua mãe?
quem é seu Deus?

Lana, quem sou eu?

Londrina, 1997, para Rojnova Svetlana.

Relatividade

Cena do Filme “… E O Vento Levou”, de 1940, com Vivien Leigh e Clark Gable

Você não tem tempo para mim
Vejo que tudo é feito a seu tempo no seu mundo
mas vejo-me passar em um segundo
em seu tempo
sem que consigas me ver

Aí não sei o que fazer
Que poderia eu esperar
além de ver você passar
milimetricamente devagar
em meu mundo?

E lugar?
Já cansei de ver-te ao luar
contemplando um amor
e me olhar
como se eu não estivesse ali,
e senti
que talvez ali mesmo eu não estivesse
não fosse você
a me olhar

E ser?
Só é você
Eu nem sou

Londrina, 1997

Simplicidade

Santa Teresinha do Menino Jesus

Dizer claramente o que me faz ser simples
Como é bom estar bem a todo o momento!
Sem precisar mentir a mim mesmo.
A graça de estar bem vem de Jesus,
pois a obra da salvação realizou-se por ele.
Tudo se faz novo por ele e eu sou criatura nova

Por isso o alívio, por isso a paz,
mesmo depois de ter errado tanto,
mesmo depois de saber que não sou nada,
mesmo depois de não merecê-lo
descubro que basta ser o que sou e passar pelo que passo
para ser dele…

Londrina, 1993

Desejo e Perda

Oficina de Arte e Artesanato no Colégio Victor do Amaral, em Curitiba

PEDI carona e não fiz mais nada
Pedi destreza mas não me fiz
Pedi papai, mamãe, namorada
Pedi certeza de ser feliz

Pedi a pomba solta na calçada
Dessa estrada feita de giz
Pedi o fim da tragédia encenada
No palco rubro da grande atriz

PERDI o fio de cabelo molhado
Dos banhos mornos da paixão
Perdi a vida feita do lado

De um sonho bobo, e jogado no chão,
Digo que nunca fui beijado
Pela dádiva da emoção.

Curitiba, 1986

A Torre

Os homens têm muitos planos
Planejam a construção de arranha-céus
Uma carreira galgada em graduação, pós, mestrado, doutorado
Todos eles ganham diplomas
Certificados
Certidões
Escrituras
Apólices
Publicações
Estão subindo verticalmente na escala dos valores
Começando a ganhar seu dinheirinho
Definem por conseguinte quem terá valor no futuro
Elegendo aqueles que herdarão sua fortuna
E de degrau em degrau caminha a humanidade
Não param e não me perguntam por que eu ainda não entendi…

Londrina, 2000

O Perito

Cena do filme “Velocidade Máxima”, de 1994, com Keanu Reeves e Sandra Bullock

Dentro de vinte segundos tudo vai explodir
Porque é impossível agüentar mais tempo guardando isso que tenho aqui.
Se a Challenger explodiu,
Se o Espaço explodiu, segundo o “BANG”,
E se a convicção científica ainda vai explodir,
Por que não eu explodir no que poderia dizer de mais puro?

Amo como não poderia amar e sou um perito em desarmar esse lance.
Três fios a minha frente estão, e minha razão já gritou: corte o verde!
O vermelho explode já:
nove oito sete seis cinco quatro três dois um…
…(E agora, o que há?)

Não sei se sobrei.

Londrina, 1997

Menina Bonita

Cena do filme “Pretty Baby, Menina Bonita”, de 1978, com Brooke Shilds

Pequena, do tamanho da sua simplicidade,
estava lá a Marcinha
na mesa do telefone

Gigante, do tamanho de sua vontade,
estava ali dizendo:
“Eu estou aqui. Eu consegui!”

Profunda, na medida de sua verdade:
“Eu sou simplesmente isso,
e mais nada.”

Criança, com alguns poucos anos de idade,
provando que pode
recomeçar.

Bonita, como manda a sua vaidade
de menina que quer ter
algo que nunca teve.

Nascendo para o mundo
Saindo de um outro mundo
Buscando algo que sabe apenas que se chama amor…

Londrina, 1995, para Márcia

Ao Acordar

Se a minha vontade de escrever se traduzisse em palavras,
Elas seriam palavras de súplica e beleza.
Essas súplicas seriam por Deus,
pela presença de Deus que é o marco da minha vida.
Porque desde o nascer do sol, meu coração suplica
pela presença dele e Seu consolo.
A beleza seria parte dessa verdade.
Dependeria do quanto a minha sinceridade se esforçasse
para buscar o meu Criador.
Ele então me curaria dessa súplica

Londrina, 1991